Web 2.0

 

Conteúdo

 

*      Entenda o que é a Web 2.0

*      Web 1.0 versus Web 2.0

*      A Web como plataforma

*      Netscape versus Google

*      Tirando partido da inteligência coletiva

*      Inovação na montagem

*      Software Multi-Dispositivo

*      Competências centrais das companhias Web 2.0

 

 

 

Entenda o que é a Web 2.0

 

O termo Web 2.0 é utilizado para descrever a segunda geração da World Wide Web --tendência que reforça o conceito de troca de informações e colaboração dos internautas com sites e serviços virtuais. A idéia é que o ambiente on-line se torne mais dinâmico e que os usuários colaborem para a organização de conteúdo.

Dentro deste contexto se encaixa a enciclopédia Wikipedia, cujas informações são disponibilizadas e editadas pelos próprios internautas.

Também entra nesta definição a oferta de diversos serviços on-line, todos interligados, como oferecido pelo Windows Live. Esta página da Microsoft, ainda em versão de testes, integra ferramenta de busca, de e-mail, comunicador instantâneo e programas de segurança, entre outros.

Muitos consideram toda a divulgação em torno da Web 2.0 um golpe de marketing. Como o universo digital sempre apresentou interatividade, o reforço desta característica seria um movimento natural e, por isso, não daria à tendência o título de "a segunda geração". Polêmicas à parte, o número de sites e serviços que exploram esta tendência vem crescendo e ganhando cada vez mais adeptos.

O estouro da bubble dot com no Outono de 2001 marcou uma reviravolta na web. Muitos concluíram que a web tinha recebido uma publicidade exagerada quando, na realidade, bolhas e conseqüentes reorganizações parecem ser um traço comum a todas as revoluções tecnológicas. Tais crises tipicamente assinalam o momento em que uma tecnologia ascendente está pronta para assumir seu lugar no centro da ação. Impostores são eliminados, as histórias de verdadeiro sucesso mostram sua força e começa a assentar uma compreensão sobre o que distingue um caso do outro.

O conceito de “Web 2.0” começou com uma conferência de brainstorming entre a O’Reilly e a MediaLive International. Dale Doughherty, pioneiro da web e vice-presidente da O’Reilly, notou que, ao contrário de haver explodido, a web estava mais importante do que nunca, apresentando intrigantes aplicações novas e sítios de sucesso eclodindo com surpreendente regularidade. E, melhor ainda, parecia que as empresas que haviam sobrevivido ao colapso tinham algo em comum. Será que o desmoronamento dot com marcou uma espécie de ponto fulcral dando sentido a uma palavra de ordem do tipo “Web 2.0”? Achamos que sim e, desse modo, nasceu a Conferência Web 2.0.

No ano e meio que se seguiu, o termo “Web 2.0” claramente consagrou-se com mais de 9,5 milhões de menções registradas no Google. Mas ainda existe um enorme desacordo sobre o que significa Web 2.0, alguns menosprezando a expressão — como um termo de marketing sem nenhum sentido — e outros a aceitando — como a nova forma convencional de conhecimento.

Esse artigo é uma tentativa de esclarecer o que queremos dizer com Web 2.0.

 

 

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Web 1.0 versus Web 2.0

 

Web 1.0

 

Web 2.0

DoubleClick

 Google AdSense

Ofoto

 Flickr

Akamai

 Bit Torrent

mp3.com

 Napster

Britannica Online

 Wikipedia

Sítios pessoais

 Blogues

evite

 upcoming.org e EVDB

Especulação com nomes de domínio

 optimização para motores de busca

page views

 custo por clique

Screen scraping

 serviços web

publicação

 participação

Sistemas de gestão de conteúdo

 wikis

diretórios (taxonomia)

 tags (“folksonomia”)

stickness

 syndication

 

 

A lista era interminável. Mas o que nos fazia identificar uma aplicação ou abordagem como “Web 1.0” e outro como “Web 2.0”? (A pergunta é especialmente premente porque a noção de Web 2.0 tornou-se tão popular que atualmente companhias estão usando o termo como uma palavra-chave de marketing sem realmente entender o que quer dizer. É particularmente difícil porque muitas dessas novas empresas viciadas na palavra-chave definitivamente não são Web 2.0 e alguns das aplicações que identificamos como Web 2.0, como o Napster e o BitTorrent nem mesmo são verdadeiras aplicações web!) Começamos por tentar trazer à tona os princípios que, de alguma forma, são demonstrados por histórias de sucesso de web 1.0 e pelas novas aplicações mais interessantes.

 

 

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A Web como plataforma

 

Como muitos conceitos importantes, o da Web 2.0 não tem fronteiras rígidas mas, pelo contrário, um centro gravitacional. Pode-se visualizar a Web 2.0 como um conjunto de princípios e práticas que interligam um verdadeiro sistema solar de sítios que demonstram alguns ou todos esses princípios e que estão a distâncias variadas do centro.

A figura 1 mostra um mapa de noções de Web 2.0 desenvolvido durante uma sessão de brainstorming durante a FOO Camp, uma conferência na O’Reilly Media. É um trabalho ainda em curso mas que mostra as várias idéias que irradiam do centro da Web.2.

 

 

Por exemplo, na primeira conferência de Web 2.0, em Outubro de 2004, na palestra de abertura, John Battele e eu fizemos uma lista preliminar de princípios. O primeiro deles era “A web como plataforma”. Entretanto esse também era o lema da empresa estrela da Web 1.0, a Netscape, que pegou fogo depois de uma inflamada batalha com a Microsoft. Além disso, dois dos nossos exemplos de Web 1.0, a Double Click e a Akamai, eram ambas pioneiras em tratar a rede como plataforma. Não é freqüente as pessoas pensarem nelas como “serviços de rede” mas, de fato, o primeiro serviço web amplamente distribuído foi o posicionador de anúncios, assim como também ocorreu com os mashups[3] (para usar um outro termo que vem ganhando terreno ultimamente). Cada anúncio em forma de banner é oferecido como uma integração sem fronteira aparente entre dois sítios web, ao apresentar uma página integrada ao leitor num outro computador.

A Akamai também trata a rede como plataforma e, num nível mais profundo da pilha, construindo um sistema de entrega de cachê transparente que desafoga o congestionamento da banda larga.

Entretanto, esses pioneiros forneceram contrastes úteis porque os que entraram depois levaram ainda mais longe suas soluções para o mesmo problema, compreendendo mais a fundo a natureza da nova plataforma. Tanto a DoubleClick como a Akamai foram pioneiras da Web 2.0, entretanto também podemos ver como é possível compreender mais sobre as possibilidades através da adoção de padrões adicionais de design Web 2.0.

Vamos aprofundar cada um desses três casos, trazendo à tona alguns dos elementos essenciais de diferença.

 

 

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Netscape versus Google

 

Se a Netskape era o exemplo padrão para a Web 1.0, a Google é, com toda certeza, o padrão para a Web 2.0, quanto mais não seja por os respectivos lançamentos na bolsa de valores terem-se tornado acontecimentos determinantes para cada uma de suas eras. Vamos, portanto, começar com uma comparação entre essas duas companhias e seus posicionamentos.

A Netscape definiu “a web como plataforma” em termos do velho paradigma de software: seu produto bandeira era o navegador - uma aplicação para desktop - e sua estratégia era usar seu domínio no mercado de navegadores para construir um mercado de altos preços para produtos servidores. O controle sobre os padrões para a exibição de conteúdo e aplicações no navegador, em tese, daria à Netskape o tipo de poder de mercado que a Microsoft desfrutava no mercado de PCs. Semelhante ao modo como a noção de “carruagem sem cavalos” apresentava o automóvel como uma extensão de algo familiar, a Netscape promoveu um webtop para substituir o desktop e planeou povoar este webtop com atualizações de informação e mini-aplicações empurradas para o webtop por fornecedores de informação que comprariam os servidores da Netscape.

No fim, tanto os navegadores como os servidores web acabaram convertendo-se em banalidades indiferenciadas e o valor dirigiu-se para os serviços oferecidos via plataforma web. A Google, ao contrário, começou sua vida como uma aplicação nativa da web, nunca foi vendida nem empacotada mas oferecida como um serviço pelo qual os utilizadores pagavam direta ou indiretamente. Nenhuma das armadilhas da velha indústria de software estava presente. Não havia prazos marcados para o lançamento de software, apenas aperfeiçoamentos contínuos. Nada de licenças ou vendas, apenas uso. Nada de conversões para diferentes plataformas para que os utilizadores pudessem re-adquirir o software para o mesmo equipamento de sempre, apenas uma coleção altamente re-dimensionável de PCs de linha branca executando, em sistemas operativos de código aberto, programas e ferramentas endógenos que nunca serão vistos por ninguém fora da companhia.

No fundo, a Google requer uma competência de que a Netscape nunca precisou: gestão de base de dados. A Google não se limita a uma coleção de ferramentas de software, é uma base de dados especializada. Sem os dados, as ferramentas são inúteis; sem o software, não se consegue gerir os dados. Licença de software e controle sobre os APIs[4] – a alavanca de poder na era anterior – tornam-se irrelevantes porque o software não precisa mais ser distribuído mas apenas executado e também porque sem a habilidade para recolher e gerir os dados, o software tem pouca utilidade. Na verdade, o valor do software é proporcional à escala e dinamismo dos dados que ele ajuda a gerir.

O serviço da Google não é um servidor – embora ele seja prestado através de uma maciça coleção de servidores de Internet –, nem um navegador – embora seja experimentado pelo utilizador dentro do navegador. Nem o serviço de busca que é o seu produto-bandeira sequer hospeda o conteúdo que ele permite ao cliente encontrar. Muito parecido com um telefonema, que acontece não apenas nos aparelhos em cada extremo da ligação mas na rede entre eles, a Google acontece no espaço entre navegador e ferramenta de busca, e o servidor de conteúdo de destino, como um possibilitador ou intermediário entre o(a) utilizador(a) e a sua experiência online.

Ainda que, tanto a Netscape como a Google, possam ser descritas como companhias de software, fica evidente que a Netscape pertencia ao mesmo mundo de software que Lotus, Microsoft, Oracle, SAP e outras companhias que tiveram seu início durante a revolução do software dos anos oitenta, enquanto pares do Google são outras aplicações de Internet como eBay, Amazon, Napster e, sim, DoubleClick e Akamai.

 

 

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Tirando partido da inteligência coletiva

 

O principal princípio por detrás do sucesso dos gigantes nascidos na era Web 1.0 que sobreviveram para liderar a era Web 2.0 parece ser porque eles souberam aproveitar o poder que a rede tem de tirar partido da inteligência coletiva:

      Hiperligações são os fundamentos da rede. À medida que os utilizadores adicionam conteúdo e sítios novos, esses passam a integrar a estrutura da rede à medida que outros utilizadores descobrem o conteúdo e se conectam a ele. Do mesmo modo que se formam sinapses no cérebro – com as associações fortalecendo-se em função da repetição ou da intensidade – a rede de conexões cresce organicamente, como resultado da atividade coletiva de todos os utilizadores da rede.

      A Yahoo!, a primeira grande história de sucesso na Internet, nasceu como um catálogo ou diretório de links, uma agregação do melhor trabalho de milhares e, depois, de milhões de utilizadores da rede. Apesar da Yahoo!, desde então, ter entrado no negócio de criação de vários tipos de conteúdo, seu papel como portal de entrada para o trabalho coletivo dos utilizadores da rede continua a ser o centro do seu valor.

      A entrada da Google na área da pesquisa, que rapidamente a transformou em líder indiscutível nesse mercado, foi o PageRank, um método de fornecer melhores resultados de busca, usando a estrutura de links da rede, ao invés de só as características dos documentos.

      O produto da eBay é a atividade coletiva de todos os seus utilizadores;como a própria web, a eBay cresce organicamente em resposta à atividade do utilizador e o papel da companhia é o de possibilitadora de um contexto em que essa atividade do utilizador possa acontecer. Além disso, a vantagem competitiva da eBay deve-se, quase que totalmente, à massa crítica de compradores e vendedores tornando significativamente menos atraente qualquer novo concorrente que ofereça serviços semelhantes.

      a Amazon vende os mesmos produtos que concorrentes como Barnesandnoble.com e recebe dos seus fornecedores as mesmas descrições dos produtos, imagens de capa e conteúdo editorial. Mas a Amazon desenvolveu uma ciência sobre o envolvimento do utilizador. Ela tem infinitamente mais avaliações de utilizadores, convites para participar de várias formas em virtualmente todas as páginas – e, ainda mais importante – usa a atividade do utilizador para produzir melhores resultados de busca. Enquanto uma busca da BarnesandNoble.com vai provavelmente levar a resultados encabeçados pelos produtos da própria companhia ou patrocinados, os da Amazon sempre apresentam em primeiro lugar os “mais populares”, uma computação em tempo real baseada não apenas em vendas, mas em outros fatores que os conhecedores da Amazon chamam de “fluxo” em torno dos produtos. Contando com a participação do utilizador em escala muitíssimo maior, não surpreende que também as vendas da Amazon suplantem as dos concorrentes.

Atualmente, as companhias inovadoras que captaram esse insight, levando-o talvez ainda mais longe, estão deixando sua marca na rede:

      Wikipédia, uma enciclopédia online baseada na noção duvidosa de que um verbete pode se adicionado por qualquer utilizador da rede e editado por qualquer um outro, é uma experiência de confiança radical, que aplica à criação de conteúdo o ditado de Eric Raymond (originalmente cunhado no contexto de software aberto) de que “com um número suficiente de olhos, todos os bugs tornam-se visíveis”. A Wikipedia já está entre os sítios Top 100 e muitos acreditam que logo estará entre os dez primeiros. Trata-se de uma profunda mudança na dinâmica de criação de conteúdo!

      Sítios como o del.icio.us e o Flickr, duas companhias que recentemente vêm recebendo bastante atenção, inauguraram um conceito que alguns chamam de “folksonomia” (em oposição a taxonomia), um estilo de categorização colaborativa de sítios que emprega palavras chave livremente escolhidas, frequentemente chamadas de tags[6]. O uso de tags permite associações múltiplas e sobrepostas como as que o próprio cérebro usa ao invés de categorias rígidas. No exemplo típico, uma fotografia de um cachorrinho no Flickr pode ser etiquetada tanto como “cachorrinho” ou como “fofinho” – permitindo ser localizada através de eixos de atividade de utilizador que foram gerados naturalmente.

      Produtos colaborativos de filtragem de spam como o Cloudmark agregam as decisões individuais de utilizadores de e-mail sobre o que é e o que não é spam, com melhor desempenho do que sistemas baseados na análise das próprias mensagens.

      É um truísmo que os maiores casos de sucesso na internet não anunciaram seus produtos. Sua utilização se deu por marketing viral, isto é, recomendações que partiram de utilizador para utilizador. Pode-se ter quase certeza de que, se um sítio ou produto depende de publicidade para se tornar conhecido, não é Web 2.0.

      Até mesmo muito da infra-estrutura da rede – incluindo Linux, Apache, MySQL, e de código Perl, PHP ou Pyton em uso na maioria dos servidores webapoiam-se nos métodos de produção comunitária de código aberto, eles próprios um exemplo de inteligência coletiva possibilitada pela rede. Há mais de cem mil projetos de software aberto listados no SourceForge.net. Qualquer pessoa pode adicionar um projeto, pode descarregar e usar o código, e novos projetos migram da periferia para o centro como resultado de utilizadores que os fazem funcionarem, num processo orgânico de adoção de software baseado quase unicamente no marketing viral.

A lição: Efeitos na rede resultantes das contribuições dos utilizadores é a chave para a supremacia de mercado na era Web 2.0.

 

 

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Inovação na montagem

 

Modelos de negócio ligeiros são um concomitante natural de programação ligeira e conexões ligeiras. A mentalidade Web 2.0 é boa para a reutilização. Um serviço novo como o housingmaps.com foi construído simplesmente pela junção de dois outros já existentes. O housingmaps.com não tem (ainda) um modelo de negócio mas, para muitos serviços de pequena escala, a Google AdSense (ou talvez as comissões de afiliados da Amazon, ou ambos) forneça o equivalente a um modelo satisfatório de remuneração.

Estes exemplos propiciam um insight em relação a outro princípio-chave da web 2.0 que chamamos de “inovação na montagem”. Quando os componentes indiferenciados são abundantes, pode-se criar valor simplesmente pela sua montagem de formas novas ou eficientes. Do mesmo modo que a revolução PC criou muitas oportunidades de inovação na montagem de hardware indiferenciado, com companhias como a Dell criando uma ciência em cima dessa montagem e, portanto, derrotando companhias cujos modelos de negócio precisavam de inovação em desenvolvimento de produto, acreditamos que a Web 2.0 irá criar oportunidades para que companhias superem a concorrência ao serem melhores no aproveitamento e integração de serviços oferecidos por outras.

 

 

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Software multi-dispositivo

 

Uma outra característica Web 2.0 que merece menção é o fato de que ela já não se limita à plataforma PC. Ao deixar a Microsoft, o programador de longa data Dave Stutz deixou o conselho que “Software útil que for escrito acima do nível do dispositivo único proporcionará altas margens por um bom tempo.

Naturalmente, qualquer aplicação web pode ser vista como software com mais de um dispositivo. Afinal de contas, até a aplicação mais simples envolve pelo menos dois computadores: o que hospeda o servidor web e o que hospeda o navegador. E, como já dissemos, o desenvolvimento da Web como plataforma estende essa idéia a aplicações sintéticas compostas de serviços fornecidos por múltiplos computadores. Entretanto, do mesmo modo como acontece com muitas áreas Web 2.0 – onde o “2.0” não é novidade e sim uma realização mais plena do verdadeiro potencial da plataforma web – esta expressão nos fornece um insight-chave sobre como projetar aplicações e serviços para a nova plataforma.

Até hoje, o iTunes é o melhor exemplo desse princípio. Ele vai diretamente do dispositivo portátil até uma maciça infra-estrutura Web, com o PC atuando como cache e estação de controle local. Houve várias tentativas prévias de levar conteúdo web a dispositivos portáteis, mas a combinação iPod/iTunes é uma das primeiras aplicações projetadas do zero para atingir múltiplos dispositivos. O TiVo é um outro bom exemplo.

O iTunes e o TiVo também servem para demonstrar muitos dos outros princípios centrais de Web 2.0. Não são aplicações Web em si mas nivelam o poder da plataforma Web, tornando-a uma parte integrante, quase invisível, da sua infra-estrutura. A gestão de dados é mais claramente o ponto central da oferta. São serviços e não aplicações empacotadas (embora, no caso do iTunes, possa ser usado como tal, gerindo apenas os dados locais do utilizador). Além disso, tanto TiVo como iTunes apresentam um uso crescente de inteligência coletiva, ainda que, nos dois casos, suas experiências estejam em guerra com o lobby da propriedade intelectual. Existe apenas uma limitada arquitetura de participação no iTunes embora o recente aparecimento dos podcasts traga uma mudança substancial para a equação.

Esta é uma das áreas de Web 2.0 onde esperamos ver algumas das maiores mudanças, à medida que for aumentando o número de dispositivos conectados à nova plataforma. Quais as aplicações possíveis quando nossos telefones e nossos automóveis não estão consumindo mas, enviando dados? A monitorização de tráfego em tempo real, flash mobs e jornalismo comunitário são apenas alguns dos sinais que chamam a atenção para as capacidades da nova plataforma.

 

 

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Competências centrais das companhias Web 2.0

 

Acreditamos serem as competências centrais das companhias Web 2.0:

        Serviços e não software empacotado, com “escalabilidade” de custo eficiente;

        Controle sobre fontes de dados únicas e difíceis de serem re-criadas e que ficam mais ricas quanto mais as pessoas as utilizarem;

        Confiança nos utilizadores como co-programadores;

        Agregação de inteligência coletiva;

        Estimular a cauda longa através de auto-serviço para o cliente;

        Software para mais de um dispositivo;

        Interfaces de utilizador, modelos de desenvolvimento e modelos de negócios ligeiros.

Da próxima vez que uma companhia reivindicar ser “Web 2.0”, compare suas características com a lista acima. Quanto mais pontos obtiverem, mais fará jus ao nome. Lembre-se, no entanto, que excelência numa área pode contar mais do que alguns pequenos passos em todas as sete.

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